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Câncer de Mama: prevenção e rastreamento

O câncer de mama constitui, atualmente, o segundo câncer mais comum em mulheres, sendo responsável por 28% de casos novos de câncer, só perdendo para o câncer de pele.  No Brasil em 2017 foram 59.700 casos novos, com 14.388 óbitos. Dentre os óbitos 181 deles ocorreram entre os homens e 14.206 em mulheres, sendo 1321 casos apenas no estado de São Paulo.

Infelizmente 70 % dos casos de câncer de mama são diagnosticados tardiamente, levando a tratamentos mais agressivos e mutiladores, com grande prejuízo emocional, social e econômico. O câncer de mama é o primeiro câncer em mortalidade entre mulheres, embora 90% dos casos tenham sobrevida maior que 5 anos quando diagnosticado em estágios iniciais.

O autocuidado das mamas transpassa pelo autoexame, visitas periódicas ao ginecologista assim como pela realização da mamografia, porém não podemos desconsiderar que a mama encontra-se numa mulher, logo o autocuidado das mamas implica em cuidar como um todo da saúde dessa mulher, com redução dos fatores de estresse e outros propiciadores do câncer de mama.

Câncer de Mama – Autoexame

No autoexame das mamas dois sentidos devem ser valorizados, a visão e o tato. Frente as alterações hormonais cíclicas que a mulher percorre todos os meses, é importante que o exame sempre seja realizado numa mesma fase, tentando otimizar as condições de comparação dos diferentes exames. Nas mulheres que menstruam o autoexame deve ser realizado no 10º dia do ciclo, enquanto nos homens ou nas mulheres que não menstruam, e nesse grupo vale incluir as gestantes, o exame deve ser sempre feito no mesmo dia do mês.

Para melhor visualização sempre observar as mamas com os braços caídos e com o movimento dos braços levantando, também é importante observar com o movimento das mãos na cintura. Esses movimentos permitem visualização de eventuais nódulos mais profundos, mais outros sinais podem ser observados como sulcos, erosão da pele, ingurgitamento do mamilo, distorções, vermelhidão, buracos, protuberâncias, veias ressaltadas entre outros.

Quanto ao toque da mama essa percepção pode ocorrer tanto no banho, quanto na frente do espelho, quanto deitada- principalmente nas mamas mais volumosas aonde o autoexame pode trazer algum grau de dificuldade.

O autoconhecimento da mama é um processo de aprendizado e deve sempre ser estimulado, embora a detecção de nódulos palpáveis só ocorra em geral em tumores de dimensões superiores a 2.0 cm, o que em absoluto constitui um diagnostico precoce nos casos de câncer. Alterações encontradas na palpação devem ser observadas em continuidade no próximo mês, e no caso de manutenção levadas para análise e investigação pelo ginecologista.

Fatores de Risco

O primeiro fator de risco para o câncer de mama é o fato de ser mulher, por isso não negligencie o seu cuidado das mamas apenas pelo fato de não ter nenhum caso prévio de câncer de mama na sua família.

Outros fatores de risco não menos importantes são a genética, obesidade, uso prolongado de anticoncepcionais, gestação tardia, ingestão excessiva de carnes e embutidos, etilismo, tabagismo, exposição à radiação e estresse crônico. O estresse crônico reduz a imunidade e permite que células cancerígenas não sejam reconhecidas e prontamente eliminadas.

Observamos uma tendência atual de aumento de número de casos de câncer de mama na gestação, com 10% dos casos totais de câncer de mama diagnosticados na gestação ou no primeiro ano após o parto. A idade média dessas pacientes é de 36 anos, com frequência de 1 caso para cada 1.000 partos. Vale ressaltar que o comportamento desses tumores tende a ser mais agressivo, com prognósticos um pouco mais reservados. Contribuindo para esse desfecho temos o retardo do diagnóstico em muitos casos.  Durante esse período da vida da mulher o autocuidado das mamas tende a ser negligenciado, seja pela dificuldade imposta pelo volume maior das mamas, seja pelas alterações promovidas pelo aleitamento ou simplesmente pela indisponibilidade da mãe frente aos inúmeros cuidados dispensados com o recém-nascido.

Rastreamento

O rastreamento do câncer de mama preconizado pela Sociedade Brasileira de Mastologia deve ser realizado através da mamografia com intervalo anual a partir dos 40 anos de idade até os 74 anos, tendo uma mamografia de base entre os 35-40 anos de idade com mamografia. Esse protocolo de rastreamento só é modificado diante de achados suspeitos no exame físico ou histórico familiar de câncer de mama. Vale ressaltar a limitação da mamografia em mamas muito jovens, onde a densidade mamaria inviabiliza a detecção de lesões precursoras ou neoplásicas; sendo necessária a complementação com ultrassonografia mamaria.

A ultrassonografia mamaria constitui método complementar ao exame físico ou a mamografia, em hipótese alguma o seu uso como exame de rastreio é adequado ou satisfatório.

Prevenção

Assim como os fatores de risco devem ser reduzidos, também devemos estimular os fatores de proteção para o câncer de mama, dentre eles vale destacar a pratica de atividade física regular, alimentação rica em fibras, frutas e verduras, boas horas de sono, gestação antes dos 35 anos, amamentação prolongada, atividades de lazer que funcionem como válvula de redução de estresse crônico e autocuidado das mamas incluindo não somente o autoexame, mas também visitas periódicas ao ginecologista, com realização dos exames de rastreio.

O câncer de mama tem cura, quem procura acha e quem acha cura!

Escrito por Dra Presciliana Mitrano – CRM 100.071

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