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Higiene íntima da mulher

A higiene íntima da mulher constitui fator importante tanto para equilíbrio da flora vaginal, quanto para prevenção e melhora dos processos infecciosos e inflamatórios genitais.

Tanto a falta quanto o excesso de higiene, assim como o uso inadequado de produtos de higiene intima podem promover grande desconforto para a mulher dentro do seu dinâmico dia a dia; com sintomatologia da mais variada, passando da simples coceira até aos corrimentos volumosos; com prejuízo inclusive para a autoimagem e sexualidade feminina.

Muitos são os fatores que influenciam a flora vaginal, dentre eles vale ressaltar as alterações hormonais, atividade física e sexual, alimentação e uso de medicamentos, obesidade, vestuário, uso de absorventes higiênicos, com destaque especial a imunidade local, fator esse extremamente influenciado pelo nível de estresse crônico que as pacientes estão submetidas.  Muitas vezes essa interação é percebida pelas próprias pacientes que associam os processos repetitivos de corrimento com situações desconfortáveis emocionais. Em toda análise de corrimento genital a avaliação complexa dessas interações deve ser observada para obtermos resultado satisfatório de forma mais rápida, evitando o uso continuado e repetitivo de inúmeros cremes vaginais.

Higiene íntima – como fazer?

A higiene íntima genital adequada deve estar focada no compartimento genital externo, com o uso de movimentos circulares, não abrasivos, evitando o movimento de vai e vem para região perianal – o que em ultima instancia poderia levar o conteúdo perianal para vulva e vagina. É importante atingir todas as dobras, principalmente na região de transição dos grandes lábios para pequenos lábios, impedindo com isso o acumulo de secreção e consequentemente de bactérias.

No geral as duchas vaginais devem ser evitadas, já que tendem a modificar com mais intensidade a flora vaginal, porém quando não puderem ser evitadas, como condição de exceção, durante o seu uso o movimento da higienização do jato sempre deve ser de cima para baixo e de frente para trás. Vale o lembrete da secagem com produto macio, mantendo os mesmos movimentos empregados durante a higienização.

O produto ideal para higienização diária da genitália deve conter pH ácido que varia de 4 a 6, com poder de detergência suave, já que a intenção é apenas higienizar e não retirar totalmente as bactérias da flora vaginal, visto a importância delas para proteção desse ambiente. Deve ser líquido para permitir melhor acesso das pequenas dobras dessa região. Outra característica é a ausência de perfume; ser hipoalergênico e não bactericida. No mercado de consumo brasileiro muitos são os produtos que preenchem esses critérios, com preços dos mais variados. Muitos estudos tentaram comparar a ação desses produtos, porém nenhum deles mostrou-se superior, permitindo a escolha individualizada pela paciente.

Higiene íntima durante o período menstrual

Durante o período menstrual a higiene íntima deverá ser incrementada, visto que a modificação do pH vaginal diante do fluxo menstrual é notória. Sempre os absorventes de composição de algodão serão a preferência. A troca dos absorventes, assim como a higienização deve ter frequência regular, não excedendo 4h para absorventes internos; mesmo que não estejam totalmente umedecidos. Essa frequência de troca também se aplica aos coletores menstruais. No período menstrual diante da correria do dia a dia vale o uso de lenços umedecidos , principalmente quando  dispomos apenas de banheiros públicos. Fora da menstruação quando houver necessidade do uso de absorventes diários, a regra de troca também é valida, evitando a umidade excessiva que perpetua o ciclo dos corrimentos de repetição.

Depilação

Quanto à depilação todos os procedimentos são abrasivos para a pele da vulva, sendo algumas técnicas um pouco mais agressivas. Seguem em ordem decrescente as técnicas e o seu poder de abrasão: lâmina, cera, creme depilatório, depilador elétrico e por fim a depilação definitiva. Para as pacientes com pele mais sensível vale a premissa de manter os pelos pubianos bem curtos, para não acarretar em prejuízo da higiene genital.

Higiene íntima após relações sexuais

Após o ato sexual sempre higienizar com água e produto de higiene intima evitando o uso de duchas vaginais.Vale ressaltar que muitos corrimentos são disparados após o ato sexual não por transmissão de bactérias pelo parceiro, mas pelo simples fato de o sêmen modificar o pH vaginal, propiciando ao desequilíbrio interno da flora pré-existente. Muita atenção também ao uso de lubrificantes vaginais e outros produtos/brinquedos sexuais que podem também desencadear respostas alérgicas ou pequenos traumas com processos inflamatórios desconfortáveis.

Roupas

Sempre que possível evitar o uso prolongado de roupas justas e calcinhas feitas de materiais sintéticos que levam prejuízo à ventilação da genitália, aumentando a umidade local. Vale destacar que muitas vezes as calcinhas são condenadas, porém as calcas justas de jeans, as calcas de leggy são tão prejudiciais quanto às calcinhas sintéticas, por isso sempre que possível use e abuse de saias, vestidos que permitem equilíbrio mais favorável da região.

Para as mulheres na pós-menopausa a higienização deve ocorrer no máximo duas vezes por dia, já que as alterações hormonais presentes nesse período não só modificam a flora vaginal preexistente como também deixam os tecidos mais finos, propiciando o ressecamento vaginal e fissuras, com dor no ato sexual e muitas vezes mesmo sem atividade sexual, pelo simples contato da pele com a transpiração ou com a própria urina. Para esse grupo de mulheres vale o uso de hidratantes vaginais ou hormonioterapia tópica, desde que sem contraindicações médicas para essa prescrição.

A saúde da mulher, e porque não também do casal transpassa pela higiene genital adequada, por isso não negligencie as suas dúvidas, procure o ginecologista e previna maiores desconfortos.

Escrito por Dra Presciliana Mitrano – CRM 100.071

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