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HPV (Papilomavírus Humano)

Durante muito tempo a discussão do HPV se limitava a um grupo reduzido de profissionais de saúde e algumas pacientes portadoras de verrugas genitais. Embora o número de pacientes não fosse tão reduzido, o tabu ao redor dessa manifestação do vírus impedia a real dimensão desse problema de saúde pública. Após o reconhecimento da importância desse vírus para o gênesis do câncer de colo do útero, assim como o desenvolvimento da vacina para o HPV, o tema ganhou notoriedade e maior divulgação tanto na mídia quanto nos consultórios de ginecologia.

Atualmente mais de 200 subtipos de papiloma vírus já foram identificados, com aproximadamente 20 subtipos tendo a genitália como sítio principal de acometimento, fazendo com que o HPV encontre-se entre as IST (Infecção Sexualmente Transmitida) mais comuns nos nossos dias. Na família do HPV encontramos alguns tipos que são denominados de alto risco pela sua elevada frequência em lesões cancerosas; vale destacar neste grupo os vírus de HPV tipo 16/18/31/33/45. Já os tipos de baixo risco, como os tipos virais 6 e 11, encontram-se presentes, sobretudo nas lesões de baixo potencial de malignidade, com participação na formação de processos benignos como as verrugas genitais.

Embora 80-90% da população já tenha tido contato com o vírus, mais de 90% consegue eliminar o vírus sem ter manifestações clínicas. Esse clareamento do vírus ocorre graças à imunidade dos pacientes. No entanto, na grande maioria dos casos a resposta imunológica é lenta e tardia demorando muitas vezes cerca de 2 anos para que o organismo elimine completamente o vírus. A transmissão ocorre preferencialmente pelo ato sexual, em tecidos que apresentem alguma lesão de continuidade. Após a infecção o vírus permanece camuflado no interior da célula, longe do reconhecimento do sistema imunológico; retardando o seu combate e permitindo o seu papel oncogênico nos tecidos.

HPV – Causas

O vírus do HPV pode causar desde verrugas genitais até alterações nas células que em ultima análise levaram ao câncer, com destaque para o câncer do colo do útero, mas também acometendo a vulva, vagina, ânus, pênis, base de língua, orofaringe e laringe.

Como muitos tipos de HPV são transmitidos através do contato genital, na maioria das vezes durante o contato sexual vaginal, oral, anal é mandatório a investigação do parceiro sexual, mesmo que esse não apresente qualquer sinal de infecção aparente; e para maior tranquilidade dos cônjuges envolvidos vale ressaltar que um diagnóstico de HPV, não é indicativo cabal de infidelidade conjugal.

É extremamente difícil determinar quando a pessoa se infectou com o HPV, porém é de conhecimento geral que a evolução de tempo decorrido entre a infecção viral nos tecidos e o inicio das manifestações clinicas ocorre com uma média mínima de 2 anos  nos pacientes sem comprometimento imunológico.

Atualmente dispomos de vasto arsenal tecnológico para o diagnóstico não só da infecção viral pelo HPV, mas também do tipo e do risco oncogênico do vírus encontrado; contudo esse avanço tecnológico não descartou o bom e velho acompanhamento com o papanicolau, assim como o exame físico e colposcópico. A avaliação isolada da biologia molecular, seja pela captura hibrida ou pelo PCR ou pela Proteina E6/E7, fica pouco precisa frente às complexas interações do vírus com a imunidade da paciente, bem como o contexto geral e amplo da sua saúde e sexualidade; motivo pelo qual a conduta sempre deve ser individualizada e realizada sempre através de orientação médica.

HPV – Tratamento

O tratamento das lesões provocadas pela presença do HPV consta de um diversificado arsenal, passando desde cirurgias com retirada das lesões até uso de agentes cáusticos, imunomoduladores (Imiqimode/ácido glicirrínico) ou laser. A escolha do método empregado está vinculada a múltiplos fatores tais como idade, paridade, localização e extensão das lesões, presença de outras doenças associadas entre outros. Independente do método utilizado para o tratamento, o casal sempre deve ser alertado para a possibilidade de recidiva da lesão, evitando assim frustrações e outros contratempos. A recidiva no geral esta associada à imunidade do hospedeiro e a dificuldade de formação de anticorpos sistêmicos em quantidade suficiente para combater novas infecções. Mesmo quando esses anticorpos são gerados, na grande maioria o processo é limitado ao tecido acometido e ao tipo infectante no momento. Como já citado previamente a família do HPV é grande, nada impede que a paciente seja infectada por outro tipo viral, para o qual o seu organismo não dispõe de proteção; repetindo todo o processo e ciclo de doença do vírus.

Diante do tratamento e de todo impacto na qualidade de vida dos casais acometidos pelo HPV, vale a pena o investimento em estratégias para a prevenção da infecção pelo HPV. O uso de preservativos, a redução de número de parceiros sexuais, embora utilizado como estratégia por alguns, não tem demonstrado uma eficácia significativa, uma vez que 50% da população mundial apresenta infecção pelo HPV. Nesse cenário o desenvolvimento e aplicação da vacina contra os tipos mais comuns de HPV ganhou destaque, assim como melhora global da imunidade individual.

HPV – Vacinas

Duas vacinas estão disponíveis para utilização clinica, a saber, a vacina quadrivalente (Gardasil©) contra o papilomavirus humano tipo 6,11,16 e 18 e a vacina bivalente (Cervarix©) contra o papilomavirus humano tipo 16 e18. Ambas possuem eficácia e segurança comprovada para prevenção do câncer de colo do útero, porém só a quadrivalente confere também proteção para o desenvolvimento de verrugas genitais. Idealmente a vacinação deve ocorrer previamente ao inicio da atividade sexual, sendo adotado como publico alvo do esquema de vacinação do Ministério da Saúde as meninas de 9-14 anos e meninos de 11-14 anos. Porém o uso dessas vacinas não se restringe a prevenção, mas também como ferramenta auxiliar no manejo clínico das pacientes já com manifestações do HPV.

Escrito por Dra Presciliana Mitrano – CRM 100.071

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